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Marketing médico e a Resolução CFM 2.336/23: o que muda na prática

Um guia prático sobre o que a publicidade médica pode e não pode fazer hoje — preços, depoimentos, antes/depois, redes sociais — com checklist antes de publicar qualquer peça.

Aviso importante: este texto tem caráter informativo e reflete nossa leitura da Resolução CFM nº 2.336, de 13/07/2023 (que substituiu a Resolução CFM 1.974/2011), com base nos materiais públicos do próprio CFM. Ele não substitui assessoria jurídica nem a consulta ao seu CRM local — normas podem ser interpretadas ou atualizadas, e casos específicos merecem avaliação individual. Sempre confirme na fonte oficial: publicidademedica.cfm.org.br.

Por que existe uma resolução específica para publicidade médica

Até 2023, a publicidade médica era regida pela Resolução CFM 1.974/2011 — um texto majoritariamente restritivo, construído quase só a partir de proibições. A Resolução CFM 2.336/2023 (assinada em 13 de julho de 2023, entrando em vigor 180 dias depois, já em vigor desde 2024) foi construída em três anos, com mais de 2.600 sugestões públicas, e muda o princípio por trás da norma: como resumiu o relator do texto, Emmanuel Fortes, "antes só havia praticamente proibições; agora se professa a liberdade de anunciar, mas com responsabilidade".

Na prática, isso significa que médicos e clínicas têm hoje mais liberdade de comunicação do que tinham até 2023 — redes sociais, preços, depoimentos, campanhas promocionais — mas dentro de um conjunto de responsabilidades específicas que não existem em nenhum outro setor.

O que passou a ser permitido

Permitido

  • Divulgar valores de consultas, procedimentos e formas de pagamento
  • Fazer campanhas promocionais (sem vendas casadas ou premiações)
  • Repostar depoimentos de pacientes, se sóbrios e sem promessa de resultado
  • Publicidade em redes sociais próprias para "formar, manter ou aumentar clientela"
  • Autorretratos (selfies) e fotos do ambiente de trabalho e equipe
  • Antes e depois, seguindo protocolo rigoroso (ver abaixo)
  • Divulgar até duas especialidades e duas áreas de atuação, com RQE

Continua proibido

  • Garantir, prometer ou insinuar resultado de tratamento
  • Sensacionalismo — enaltecer a própria atuação de forma abusiva
  • Comparações e superlativos ("o melhor", "referência nacional")
  • Vendas casadas e sorteios em campanhas promocionais
  • Expor consultas ou procedimentos em andamento, mesmo com autorização
  • Divulgar equipamento ou medicamento sem registro na Anvisa
  • Usar "especialista" sem RQE (Registro de Qualificação Específica)

Antes e depois: o protocolo específico

Imagens de antes/depois são permitidas, mas seguem regras rígidas: o paciente não pode ser identificável, as imagens não podem ser manipuladas ou melhoradas, e é preciso mostrar evoluções satisfatórias, insatisfatórias e possíveis complicações em conjunto — nunca apenas o resultado mais bonito isolado. É obrigatório texto educativo descrevendo indicações terapêuticas e possíveis complicações, idealmente demonstrando a evolução em diferentes biotipos, faixas etárias e períodos (imediato, mediato e tardio).

Depoimentos de pacientes: cuidado com o "repost"

Repostar um depoimento espontâneo de paciente é permitido, mas o CFM entende que, ao compartilhar, o conteúdo "passa a ser considerado como se fosse do profissional" — ou seja, a responsabilidade pelo tom do depoimento passa a ser do médico. Depoimentos precisam ser sóbrios, sem adjetivos que denotem superioridade e sem prometer resultado. Mesmo elogios reiterados não compartilhados podem, em tese, ser investigados pela Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) de cada CRM.

Itens obrigatórios em qualquer peça publicitária

Em redes sociais, blogs e sites, o CRM e o RQE devem constar na página principal do perfil — não é preciso repetir em cada post individual, mas precisa estar visível no perfil.

Checklist antes de publicar qualquer conteúdo

Na prática: a forma mais segura de operar é ter cada peça de comunicação — post, anúncio, roteiro de vídeo — revisada sob essa ótica antes de ir ao ar, e não depois. É por isso que compliance CFM faz parte do processo de conteúdo da MKI desde o início, não como uma revisão de última hora.

Perguntas frequentes

Posso usar depoimento de paciente no Instagram do consultório?

Sim, desde que sóbrio, sem adjetivos de superioridade e sem promessa de resultado — lembrando que, ao repostar, o conteúdo passa a ser considerado como se fosse do próprio médico.

Posso divulgar o preço da consulta ou do procedimento?

Sim. É permitido divulgar valores de consultas, formas de pagamento e valores de procedimentos particulares — vedada apenas a vinculação a vendas casadas ou premiações.

Posso publicar foto de antes e depois de um tratamento?

Sim, com regras rigorosas de anonimização, ausência de manipulação de imagem, e apresentação de evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações em conjunto, com texto educativo.

O que acontece se descumprir a resolução?

A apuração é feita pelo CRM do estado, via Codame, e pode resultar em processo ético-disciplinar. Consulte seu CRM ou um advogado especializado em direito médico para avaliação de casos específicos.

Quer comunicação de marketing médico com compliance desde o início?

Cada peça produzida pela MKI passa por uma curadoria de conformidade com a Resolução CFM 2.336/23 e a LGPD antes de ir ao ar.

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